segunda-feira, 21 de março de 2011

Dia 21, RU Vegetariano, corram é só hoje!

Ontem foi o dia mundial sem carne. Por isso o RU, através de um pedido da Advogada da UEM, Clidionora, com o apoio do DCE e outros está realizando almoço e janta vegetariana. Este é o único dia sem carne na história do RU. O cardápio conta com: tabule, creme de milho, refogado de legumes, arroz, feijão, barra de cereais e fruta. Entretanto, pensamos que deveria haver uma opção vegetariana diariamente. O que impede que isto ocorra é a falta de funcionários, de utensílios de cozinha e de uma reestruturação da cozinha que não suporta o aumento da demanda que ocorre anualmente (só este ano foram criados 6 novos cursos no campus sede). Esta resestruturação do RU foi prevista e prometida, há mais de 4 anos, pelo Reitor Décio Sperandio. Porém, sua administração encerrou sem cumprir com as promessas. O que fazer agora? O RU está em condições precárias. Filas gigantescas. Comida "fast food" (steak, hamburguer, linguiça e etc.) E o suco? É bom nem lembrar aquele gosto artificial. Não vamos entrar no "detalhe" da qualidade dos alimentos, óleos trangênicos, margarinas trangênicas e etc...
Mas o mais preocupante é que a atual gestão da reitoria resolveu "rediscutir o acordo" feito com os funcionários há 4 anos. Esse acordo que previa contratação de funcionários, compra de materias de trabalho e ampliação do restaurante universitário também estipulava um acordo salarial com os funcionários da época (que continuam trabalhando no RU) para trabalharem no café da manhã semanal e no sábado servindo o almoço, ultrapassando assim a carga horária oficial registrada em carteira. A reitoria através de outros funcionários controlados pela hierarquia institucional mandou cancelar e reformular esse acordo salarial gerando um grande mal estar entre os funcionários. Não só pela mudança desse acordo salarial mas sim pela NÃO concretização de todas as outras promessas feitas pelo antigo reitor, não houve contratação de funcionários no RU, as filas como já citado estão enormes e as condições de trabalho são desfavoráveis para realização de um trabalho satisfatório. Muitas vezes os funcionários precisam ultrapassar sua carga horária para conseguirem fazer o almoço. Com isso nós questionamos o valor de UM (apenas um) dia sem carne no RU da UEM. Sendo que falta muito para que o restaurante tenha uma estrutura digna de trabalho para que possa satisfazer todos estudantes da universidade. Enquanto isso os vegetarianos continuam a comer arroz, feijão e repolho todos os dias que não são "dia mundial sem carne".

5 comentários:

Anônimo disse...

Ser vegetariano não pode ser uma obrigação. Nesse dia, ao não permitir a presença de carne na alimentação, foram feridos os meus direitos nutricionais. Pelo direito de ser onívoro, diga NÃO ao fundamentalismo gastronômico!

Tiê disse...

Descordo de ti, camarada anonimo. Primeiro porque pra mim, a universidade deve servir de exemplo para a sociedade, com isto inclui a alimentação. Ou seja quanto de agua e de terra, se gasta para produzir uma carne? e um vegetal? Além da questão dos mãos tratos aos animais. Sem contar com a questão ambiental, as pastagens e monoculturas de soja pra ração de gado. Isso significa que estamos falando de um grande negócio, que envolve os setores mais ricos da economia e da política, a bancada ruralista, que agora quer passar um novo código florestal, que irá permitir o desmatamento das reservas legais entre outras coisas para se produzir mais carne. Com a Agrofloresta, agricultura familiar, se produz, sem desmatar, alimentos organicos. Meu caro anonimo ninguém te proibiu de levar o seu bife num tapuer, igual os vegetarianos fazem com legumes diariamente, uma vez que o RU nunca serve uma opção além da carne.Cara de boa, mas habito alimentar é algo possivel de mudar, qual é o nosso padrão, nosso modelo. No Brasil o boi foi introduzido por volta do sec.XVIII, até então ninguém comia carne boi, de pasto. Hoje o frango, assim como os outros animais, vivem uma vida totalmente artificial, com hormonios e antibioticos até as tampas, é isso que vc quer ingerir?

Wilson Guerra disse...

Olá.
Penso que o que determina o desmatamento de áreas verdes para pastagens (que hj é mais lucrativa para plantar grãos, e não para pecuária) é a busca pelo lucro, nada tem a ver com a alimentação das pessoas.
Isso só será resolvido no travamento de uma luta anti-capitalista.

mateus disse...

Caro(a)Tiê,

ler suas palavras, fez-me refletir sobre um problema sério que envolve todos nós. Pessoas que têm uma participação política considerável, em geral, desconhecem ciência, e pessoas que conhecem ciência, são em sua maioria, alienados politicamente. Pelo menos essa é nossa realidade nas universidades.

Quando você questiona o quanto se gasta de terra e água para produzir uma carne e um vegetal, posso supor que você está comparando os vegetais que são produzidos atualmente, sendo estes os vegetais para os animais cuja carne consumimos, e os vegetais que nós humanos já consumimos diretamente. Reflita agora, caso não existisse mais animais para o consumo, o quanto de vegetais deveríamos produzir a mais do que se produz. Por uma simples questão de conservação de energia, parece-me que o consumo total, no final, será o mesmo, assim como os gastos.
Isto posto, os argumentos sobre o desmatamento para pastagens, por exemplo, se invalidam. Afinal, para saciar toda a população, lembrando que esta é bem grande, necessitaríamos de espaço também para seus vegetais, e isso amplifica o atual problema de agrotóxicos, independente de boa parte dos vegetarianos terem consciência deste problema, ele não é problema da carne.

Quanto aos maus tratos com animais, isso existe, assim como existe com humanos. Mas lembre-se, isso não é regra. Existem normas e leis em respeito ao abatimento, assim como pesquisas com animais. A propaganda vegana/vegetariana torna-se altamente ridícula quando exibe vídeos de pessoas torturando animais e coisas parecidas, como se o frango que você come em casa tivesse morrido assim. Isso é absurdo e motivo de piada para os zootecnistas, por exemplo. E, falando neles, recomendo que leia algo a respeito do *mito* sobre hormônios em carne de frango. Sim, isso é um mito e dos mais hilários, pois além de proibido, os hormônios em carne de frango de corte são inviáveis.

Bom, mas o mais importante, é que quero deixar aqui o meu descontentamento em respeito a *imposição * do vegetarianismo no RU. Acho válido, e apoio que reivindiquem alimentos de qualidade além da carne, para que os que não a comem possam fazer uma refeição de qualidade. No entanto, tirá-La do cardápio pela *crença* de que esta é prejudicial à saúde e a sociedade, algo que não possui fundamentos (apenas mitos e falácias), não me parece democrático. Por isso denominamos de *imposição*. Uma minoria impôs seu modo de se alimentar a uma maioria que come carne.
Estou aberto ao debate.

Um abraço,
Mateus C. Fernandes

Wilson Guerra disse...

Compartilho da preocupação manifestada pelo Mateus. Os organizadores da versão do RU para o dia mundial sem carne pisaram feio no "tomate".
Deveriam ter organizado uma OPÇÃO aos vegetarianos, e não IMPOSIÇÃO aos que não seguem esse costume.