quinta-feira, 25 de novembro de 2010

RESULTADO DA ELEIÇÃO DO DCE-UEM

Pessoal, segue o número de votos válidos de cada chapa na disputa da eleição do DCE. Vale ressaltar que esses números não são os oficiais da Comissão Eleitoral, mas sim os levantados pelos observadores do escrutínio.

Chapa 1 - Movimente-se UEM: 1517 votos;
Chapa 2 - Bonde do Amor: 617 votos;
Chapa 3 - NDA: 341 votos.

A chapa agradece a participação dos estudantes no processo eleitoral e deixa o convite a vir participar dos espaços de nossa futura gestão. Para nós, cada voto depositado na urna não será um voto de confiança e sim mais uma pessoa disposta a construir esse movimento estudantil.

Por fim, a todos que não puderam votar pelos vários erros cometidos pela comissão eleitoral, um convite a vir conhecer nossas idéias.

domingo, 21 de novembro de 2010

OPORTUNISMO DAS CHAPAS 2 E 3

Já não é novidade para o movimento estudantil da UEM o fato de que existe pouca participação dos estudantes nesse movimento - estranho né, um movimento estudantil no qual existe pouca participação dos estudantes. Pois é, a leitura que se tem diante disso é que um movimento fraco não dá conta de enfrentar os problemas que existem no cotidiano dos estudantes. Por isso a necessidade de revermos a estrutura desse movimento, ou seja, como que as entidades (Centros Acadêmicos e DCE) estão estruturadas de tal maneira a contribuir para que essa pouca participação se mantenha.

É nesse sentido que propomos a descentralização nas decisões das entidades. Entendemos que o modo de organização centralizado em uma diretoria que impõe suas posições e direcionamentos, seja por vinculação partidária ou por ganância individual, acaba afastando o estudante da entidade e enfraquecendo, assim, o movimento estudantil. O problema é que existem grupos políticos que, apesar de reconhecerem a fraqueza do movimento estudantil, não acreditam na descentralização como medida para alcançar maior participação. Isso porque para esses grupos políticos a descentralização significa perda de poder, perda do dce como escritório de partido, perda do dce como entidade de promoção individual e perda do dce como um aparato governista (atrelamento da gestão à reitoria ou ao governo estadual ou federal). O que interessa para esses grupos é justamente que não aconteçam essas perdas. É por isso que eles impugnaram a Chapa Descentralize nas eleições do ano passado, porque essa chapa tinha grandes chances de ganhar as eleições e iniciar um movimento pela descentralização. É bom frisar, tentaram impugnar da mesma forma a CHAPA 1 este ano. Mas não conseguiram.

Agora esses grupos políticos, que estão compondo as chapas 2 e 3, vêm em campanha dizendo que também têm propostas para aumentarem a participação dos estudantes no DCE. Porém, sabemos que se trata apenas de confundir o estudante e conseguir o seu voto. A CHAPA 2 BONDE DO AMOR POR MAIS ALTERAÇÃO, composta essencialmente pelo PT E PCdoB, apresentam a proposta de orçamento participativo, dando a entender que isso aumentaria a participação dos estudantes. Porém, verdade seja dita, por que em 2 anos de gestão eles não implementaram esse orçamento e só agora se valem dessa proposta para se fortalecerem na campanha? Será que não é se trata apenas de oportunismo político, uma vez que eles sabem que nós estamos passando em sala e os estudantes estão sabendo da importância da participação e da descentralização?

A CHAPA 3 NENHUMA DAS ANTERIORES, composta essencialmente pelo PT, está apelando no mesmo sentido. Apesar de não termos muita referência no material deles a esse respeito, sabemos que estão passando em sala dizendo que, caso eleitos, farão reuniões abertas na qual o estudante vai poder participar - um discurso que todas as chapas sempre falam em campanha, dando a entender que são democráticos e sabem lidar com as diferenças. Mas eles não têm clareza na proposta, eles não dizem, por exemplo, como exatamente irão funcionar essas reuniões, se o estudante vai poder participar somente como ouvinte ou se vai poder propor e também votar, qual o peso deste voto, a periodicidade dessas reuniões, enfim, a proposta deles não está clara e isso significa que eles não discutiram isso na base. Isso é o oportunismo das chapas 2 e 3 - eles estão se aproveitando da nossa crítica à centralização e tentando, assim, obter maior força política.

A CHAPA 1 MOVIMENTE-SE UEM, cuja composição engloba os partidos PSOL, PCB, PSTU, mas também engloba estudantes apartidários, antipartidários e Anarkistas, ao contrário das outras chapas, não trata da descentralização como um mero produto de campanha. Nós discutimos bastante a respeito disso, desde o ano passado com a Chapa Descentralize e até mesmo antes. Sabemos que nossa proposta vai alterar a dinâmica do movimento estudantil. Por exemplo, com uma gestão aberta em que todo estudante, independente de partido, cor, religião, classe ou orientação sexual, vai ter direito a participar de maneira igual com voz e voto nas decisões do dce, como ficariam os Conselhos Estudantis de Entidades de Base, os CEEB´s? Eles deixariam de acontecer? Propomos que não. O CEEB é uma instância superior à gestão do DCE e seu papel, entre outros, é o de fiscalizar a gestão (vale lembrar que a atual gestão só fez dois CEEB´s, sendo que pelo estatuto do DCE a gestão deve realizar 1 a cada dois meses). Outro ponto importante em relação a descentralização é que para ela acontecer não basta que a gestão do DCE abra suas portas e possibilite que o estudante fale e vote de maneira igual. Nós buscamos, sim, a politização do estudante e isso pode acontecer por diversas formas - com atividades culturais, com eventos de caráter científico (palestras, seminários, etc.), com debates estudantis, entre outras maneiras que podem tocar o estudante no sentido da importância da participação individual com vistas ao bem comum.

Nós entendemos que o problema da fraca participação dos estudantes no movimento estudantil é um problema histórico de anos e anos de despolitização e descrédito no estudante. A ditadura militar no Brasil, por exemplo, conseguiu construir uma imagem que é muito forte ainda hoje de que o estudante que participa da política ou é um criminoso ou é um marginal. Ou, então, outra idéia corrente hoje em dia é que participar da política é perda de tempo, uma vez que as obrigações acadêmicas são tantas e tomam maior parte de nosso tempo. Ora, do jeito como está estruturado o DCE, centralizado, participar politicamente é mesmo uma coisa massante e que faz com que muita gente se atrapalhe com os assuntos acadêmicos. É bem verdade que existem estudantes que se envolvem na política, aqueles que chamamos de estudantes profissionais, que sempre são filiados a este ou aquele partido e que ficam migrando de um curso ao outro só para não perder vínculo com a universidade, esses se aproveitam dessas opiniões e querem mesmo que os estudantes não se envolvam politicamente, porque assim fica mais fácil deles fazerem suas tramóias.
Enfim, votar em uma chapa que defende a descentralização tal como nós defendemos é votar na possibilidade do próprio votante participar, de maneira direta e horizontal. Apesar de discordarmos das posições políticas das chapas 2 e 3, a descentralização não exclui a possibilidade deles participarem. Queremos lidar de maneira adulta com as diferenças e assim somar forças. Queremos um movimento estudantil forte e atuante para superar nossos problemas.

Não queremos decidir nada pelo estudante, queremos que o estudante decida com a gente!

O problema das bolsas estudantis na UEM

Depois de ver a propaganda eleitoreira do Bonde, na qual dizem que eles aumentaram as bolsas na UEM, comecei a achar de extrema importância entender de que maneira se dá a existência, o aumento, o sentido das bolsas estudantis na universidade. Entendendo isso, talvez fique mais fácil construir uma boa política para melhorarmos essa situação na vida dos estudantes.

O sentido de bolsas para os estudantes na universidade tem a ver com dois aspectos: a assistência estudantil e o sentido do tripé em que essa universidade se diz constituída (bolsa ensino, bolsa pesquisa e bolsa extensão). As universidades têm uma proposta diferente das faculdades particulares, pois se caracterizam como um espaço do conhecimento composto pelo ensino, pela pesquisa e pela extensão. Ou seja, ela não é uma simples fábrica de diplomas, mas uma instituição que investe em pesquisa, que realiza o ensino e que retorna o investimento público não apenas com a formação de profissionais, mas também com projetos sociais que auxiliem a sociedade. Por isso, é necessário separar o joio do trigo. Apesar de muitos estudantes precisarem de bolsas para se manter estudando, independendo se é bolsa-trabalho ou bolsa-pesquisa, existem grandes diferenças entre as variações de bolsas e cada uma delas tem seu sentido dentro do espaço universitário.

A bolsa-pesquisa depende de órgãos ligados ao financiamento de pesquisa como a Fundação Araucária e a CNPq. A bolsa do Programa de Educação Tutorial (PET) é financiada pelo MEC. Já a monitoria, a bolsa ensino, a bolsa extensão, a bolsa trabalho e a bolsa alimentação dependem de instâncias da própria universidade para existirem, então, suas melhoras se realizam pela verba que o governo destina à UEM e pela forma como ela é aplicada por quem administra a nossa universidade. No fundo, todas as bolsas dependem desses dois fatores: os valores que as verbas públicas destinam e a forma como essa verba é aplicada. Mas é importante frisar que as últimas bolsas citadas dependem mais da administração dos recursos públicos realizada por nosso reitor do que de instâncias externas à UEM.

A bolsa alimentação e a bolsa-trabalho existem na universidade somente para a assistência estudantil, como forma de auxiliar o aluno no acesso a universidade, não tendo função dentro daquele tripé mencionado acima. Nesse sentido, podemos nos perguntar: em que medida essas bolsas ajudam na formação acadêmica dos universitários? Se não ajudam, então porque elas devem aumentar?

Olhando mais aprofundadamente para esses problemas, vemos que a razão dessas bolsas é o de resolver problemas estruturais da universidade: falo da contratação de funcionários. Chegamos a um ponto tal no qual não mais criamos políticas para o aumento de bolsas de importância acadêmica, mas entramos na dinâmica posta, sem notarmos que assim não resolvemos esse problema da falta de contratação de funcionários e do seu impacto na qualidade da universidade. Na verdade, com o aumento das bolsas-trabalho, amenizamos o efeito dessa falta, escondendo a sua verdadeira causa. Mas não entramos nessa dinâmica à toa: os alunos precisam dessas bolsas para se manter na universidade. Não podemos deixar essa necessidade de lado.

Vê-se, então, uma situação bem problemática: Não deveríamos tentar sair dessa dinâmica para melhorar os serviços da universidade com a quantidade correta de funcionários? Mas como sair dessa dinâmica sem perder essas formas de assistência estudantil que se tornaram tão importantes para a vida financeira de tantos estudantes?

E se pensássemos numa política de aumento das bolsas de valor acadêmico e, junto disso, em formas de reivindicar pela contratação de novos funcionários na UEM?

E se tivéssemos também uma política para, ao invés de aumentar, melhorar as condições da bolsa alimentação e da bolsa trabalho? Afinal, se os funcionários que deveriam estar trabalhando no lugar desses alunos receberiam mais que eles caso fossem contratados, então, os alunos locados nessas funções devem ser mais valorizados.

Os estudantes não podem se esquecer que a qualidade do ensino passa pelos problemas enfrentados pelos funcionários e professores da universidade. Por isso, temos que criar novos diálogos entre as políticas dos estudantes com as dos funcionários e dos professores da UEM. Acredito que a questão das bolsas estudantis enfrenta esse desafio que se põe a gente. Talvez tivéssemos que ir além de simplesmente reivindicar o aumento de bolsas a torto e a direito sem entender os meandros que estão por trás disso.

sábado, 20 de novembro de 2010

Carlos Latuff apóia protesto contra apagamento do grafite na UEM





O cartunista carioca Carlos Latuff publicou em seu twitter a notícia que saiu no Diário de Maringá sobre o apagamento do grafite. Conhecido mundialmente pelo seu ativismo artístico, especialmente pela causa palestina, o cartunista esteve por aqui no mês passado, participando do V Fórum de Pesquisa e Pós-Graduação em História da UEM, no qual proferiu conferência: "Arte do fogo: a charge como arma dos silenciados".

http://latuff2.deviantart.com/

sexta-feira, 19 de novembro de 2010

FIQUE ATENTO: QUEREM NOS CALAR!

De tanto amor pelo DCE e seus benefícios, a comissão eleitoral (vinculada ao Bonde do amor), querendo associar um Grafite feito na porta do RU no dia 18/11 como atividade de campanha de nossa chapa, tentou nos impugnar. O Grafite foi feito por um artista que havia solicitado pessoalmente a autorização do chefe do RU para realizar sua arte. Ele estava participando da Semana da Consciência Negra, uma atividade idealizada muito antes das eleições e que envolveu artistas locais em manifestações rápidas durante o horário do almoço no RU.
O amor que moveu a ação deste artista foi jogado ao lixo pelo Bonde do amor. A comissão eleitoral usou a mesma tática da eleição passada, onde na véspera da eleição impugnaram a Chapa Descentralize, a chapa que se fortalecia cada vez mais na campanha e que no debate se mostrou forte o suficiente para ganhar as eleições. Com medo de perder, eles deram um golpe e impugnaram a chapa.
Tal atitude demonstra o desespero e a maneira suja como atua a atual gestão do DCE. Atuam contra as manifestações artísticas dentro da universidade e buscam a todo custo uma maneira de se perpetuarem no poder. Acusaram o Grafite de “pichação e dano ao patrimônio público”, o que poderia levar a impugnação da chapa. Mas como o amor pode cegar, a ilegalidade lhes abriu os olhos - pois o que era uma arte virou uma acusação sem pé nem cabeça. Como não poderiam voltar atrás passaram tinta cinza em cima de uma obra arte. Por que não deixar o grafite lá já que era quase inteiro da cor roxa? O feitiço virou contra o feiticeiro. Os estudantes não são imbecis e já perceberam o modo como atua o Bonde do amor.

PELA LIBERDADE DE EXPRESSÃO ARTÍSTICA!

PELA MANIFESTAÇÕES CULTURAIS DA UEM!

PENSE, PARTICIPE E FAÇA ARTE!


Sobre o artista:



















Isaac - Sarandi.

Obs: A cultura hip hop é forte em Sarandi em todos os seus elementos (música, dança, poesia e pintura), com grupos que ganharam prêmios nacionais.

Crew Donos da Rua

Tem tanta coisa p'ra mudar!

Não fique aí parado,
tem tanta coisa p'ra mudar!
Pense, participe e movimente-se,
para que ninguém negue teu direito de participar.

Você pode ser a gota
que move todo o oceano,
mas se você ficar aí parado
pode ser um grande engano.

Uma gota sozinha
não gera muito movimento,
mas muitas gotas juntas
podem mudar o pensamento!

Há cartazes por aí
cheios de celebridades,
que propagam tantas mentiras
e ocultam muitas verdades.

Não se contente com o mínimo,
tem tanta coisa p'ra mudar!
Outros pensarão por ti
se você não pensar.

Por trás de piadas velhas
há velhas pretensões,
não deixe que te excluam
de tomar as decisões!

É preciso ir à luta
É preciso descentralizar
se queremos garantir
o direito de participar.

É uma pena que alguns
defendam a censura,
quando quase todos querem
mais acesso à cultura.

É uma pena que alguns
querem ocultar a arte da vista,
não há porque pintar por cima
da obra de um artista.

As piadas perdem a graça
depois de contadas pela segunda vez.
A situação não é engraçada,
ela demanda lucidez.

Então na quarta-feira,
que é dia de eleição,
pense bem no seu voto
e vote com atenção!


(*blog do autor)

Gaúcha, o movimento estudantil mais forte da UEM

UEM Campus Cidade Gaúcha - "Localizado no município de Cidade Gaúcha, PR, a 140 km de Maringá, desenvolve atividades de ensino, pesquisa e extensão nas áreas de Engenharia Agrícola, Agronomia, Zootecnia e outras. Oferece o curso de graduação em Engenharia Agrícola e os cursos de graduação a distância: Normal Superior e Administração, e o curso de especialização em Açúcar e Álcool" (Fonte: site da UEM).

Em termos de participação e mobilização, Cidade Gaúcha dá o exemplo para os outros campus. Ainda estão na memória de todos as famosas greves de Gaúcha, principalmente a de 2007, na qual os estudantes e funcionários pararam pedindo mais verbas, reposição salarial, abertura de concurso público para professores e funcionários, por um R.U., uma Casa do Estudante e pelo fim das taxas:



Os estudantes simularam um enterro para expressar o descaso com o campus.



Passados quase quatro anos, alguns destes problemas permanecem, mas houve uma melhora significativa. Por exemplo: a construção de um quiosque para as atividades culturais dos estudantes e para abrigar a empresa júnior, gerida pelos estudantes...





conquista de um ônibus que transporta gratuitamente os alunos...
a readequação do galpão de máquinas agrícolas...
um auditório...

Entretanto, o campus ainda tem problemas pela falta de funcionários, de estrutura, assistência estudantil, entre outros. Os próprios estudantes construíram um projeto de R.U. e enviaram para análise da reitoria. Mas não pararam por aí: enquanto o RU não vem, foram atrás de orçamentos de marmitex e criaram um projeto de proposta de que a Universidade subsidie o valor que exceder aos R$1,60 pagos no RU do campus sede.

De outro lado, não há qualquer iniciativa cultural do DCE no campus. À parte isto, no campus há criação de animais que precisam ser reformuladas urgentemente. Apesar de estes porquinhos serem muito simpáticos,



a falta de preparo da estrutura leva à poluição e contaminação do ambiente:
sendo que um depósito para os dejetos não resolve o problema:


Os estudantes tem propostas de implementação de biodigestores (utilizar o gás como fonte de energia para o campus). Com as ovelhas, o problema é menor, pois eles elaboraram uma maneira de reaproveitar os dejetos e sobras de alimentos (usados como adubo):

Conheça mais o campus:





Estação Metereológica Automática





Por enquanto, são estas as informações que temos sobre Gaúcha. O pessoal de lá que faz parte da chapa ficou de fazer um texto falando mais (confiram, em breve). Obrigada à Monique, ao Zé e a todo o pessoal que nos acolheu muito bem, e que com a sua movimentação fornece uma referência para os outros campus. Sinceros parabéns.

Obs.: Em Gaúcha, há árvores frutíferas por todo o campus (e eles sabem o melhor horário de comê-las), e o café é de graça pra todo o campus...

Reitoria da PUC-SP está ocupada

Reitoria da PUC-SP está ocupada
Bruno Huberman 18 de novembro de 2010 às 17:28h

Estudantes reivindicam a diminuição da mensalidade, que aumentou nos últimos anos sempre acima da inflação

A reitoria da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, no bairro de Perdizes, foi ocupada por mais de 300 estudantes nesta quinta-feira 18, novamente. Em 2007, centenas de universitários já haviam ocupado por 10 dias as dependências da então reitora Maura Véras. Na ocasião, foi motivada pelo processo de redesenho institucional que estava sendo imposto aos estudantes, professores e funcionários. Entre outras mudanças da tal “reestruturação”, estava a maior participação do poder eclesiástico no cotidiano da universidade para tentar saldar a dívida de mais de 300 milhões de reais da instituição. Daquela vez, os padres e a reitora enxergaram como solução a intervenção da polícia para resolver o problema que tinham em suas mãos. Essa foi a segunda vez que policiais invadiram a PUC para conter o movimento estudantil, exatos trinta anos depois de Erasmo Dias comandar a tropa de choque na dispersão do encontro da União Nacional dos Estudantes (UNE), que tentava se rearticular após ser desmantelada pelo regime de repressão que ainda vigorava na época. Em 1977, a então reitora Nadir Kfouri enfrentou os militares, já em 2007 a cavalaria invadiu o espaço universitário convocada por quem o administrava.

Agora, em novembro de 2010, o motivo da ocupação é reflexo daquele de três anos atrás: aumento das mensalidades. Desde a aplicação da reforma institucional na PUC, o valor pago pelos estudantes aumentou sempre acima da inflação. Atualmente, uma comissão de alunos está levantando o valor exato do reajuste. Desde o início do corrente período letivo, o movimento estudantil puquiano promoveu debates, assembléias e audiências públicas com o reitor Dirceu de Mello para, entre outras reivindicações, exigir a diminuição da mensalidade. Um abaixo assinado com mais de 2.000 assinaturas, que equivale a 15% do universo estudantil da PUC, foi encaminhado ao reitor e a Fundação São Paulo, a mantenedora da universidade e ligada a Arquidiocese de São Paulo.

A decisão final seria tomada na reunião do Conselho Administrativo (Consad) da universidade nesta quinta-feira 18, contudo padres e reitor negaram a exigência de diminuição da mensalidade e seguidas vezes questionados sobre o aumento para 2011, não responderam aos estudantes presentes. Logo após a reunião, os estudantes decidiram em assembléia partir para uma atitude mais extrema: a ocupação. O reitor então conversou com os estudantes e lamentou a decisão tomada por eles. Mello garantiu que não irá chamar a polícia, como fez a sua antecessora, porém negou fazer o acordo por escrito. Ele não pode assinar uma promessa dessa. Por conta daquele redesenho institucional, o reitor, assim como a rainha da Inglaterra, reina mas não governa. Infelizmente, como previam os estudantes há três anos, a reforma foi um retrocesso político da universidade. Quem mandam agora são os padres. O reitor, eleito pelo voto estudantil, não governa a plenos poderes.

“Nós já nos organizamos em comissões de imprensa, segurança, de atividades culturais, entre outras. Vamos manter a ocupação. Porém, estamos apreensivos, já passaram dois carros de polícia aqui na porta”, conta a estudante de jornalismo Gabriel Moncau, uma das que ocuparam a reitoria na manhã desta quinta-feira. A PUC e a Fundação São Paulo tem 24 horas para pedir a reintegração de posse pela polícia sem mandato judicial.